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Perturbação de Jogo na População Adulta em Portugal: Um Estudo Transversal
Gambling Disorder in the Adult Population in Portugal: A Cross-Sectional Study
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Resumo
Introdução: A perturbação de jogo, classificada no DSM-5 como perturbação aditiva não relacionada com subs-tâncias, caracteriza-se por um comportamento de jogo a dinheiro persistente e problemático, com impacto clínico significativo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 0,1% e 6% da população global poderá desenvolver esta perturbação. O nosso objetivo foi caracterizar o risco de perturbação de jogo na população adulta em Portugal.
Métodos: Estudo transversal, com amostragem por conveniência, realizado através de um questionário online divulgado em redes sociais e unidades de saúde. Foram recolhidos dados sociodemográficos, consumo de subs-tâncias, estado de saúde e aplicada a versão portuguesa do South Oaks Gambling Screen (SOGS-PV).
Resultados: Foram incluídos 595 participantes (idade média: 39,2 anos; 67,1% do sexo feminino). 10,9% (IC 95%: 8,7–13,7) apresentavam risco de perturbação de jogo. Os jogos mais frequentes foram raspadinhas (41,5%), jo-gos de lotaria (34,7%) e jogos online (22%). Os fatores associados a perturbação de jogo foram o sexo masculino (OR: 3,57; IC 95%: 1,99–6,52), o consumo de tabaco (OR: 2,60; IC 95%: 1,34–4,95) e ter uma mãe (OR: 12,1; IC 95%: 0,534–138,2), amigo (OR: 2,349; IC 95%: 0,948–5,423) ou outro familiar (OR: 2,85; IC 95%: 1,165–6,481) com perturbação de jogo. Apenas 1,7% reportaram ter discutido esse tópico com o seu médico de família.
Conclusão: O risco de perturbação de jogo em adultos portugueses é relevante. A presença de fatores de risco identificáveis reforça a importância do rastreio oportunístico e da abordagem preventiva nos cuidados de saúde primários, potenciando a deteção e a intervenção precoces.
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