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Caraterização de Hipertensos com Eventos Cardiovasculares Major numa USF Portuguesa: Avaliação Retrospetiva e Oportunidades de Melhoria na Gestão do Risco
Characterization of Hypertensive Patients with Major Cardiovascular Events in a Portuguese Family Health Unit: A Retrospective Assessment and Opportunities for Risk Management Improvement
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Resumo
Introdução: A hipertensão arterial é a doença crónica mais prevalente em Portugal, afetando 36% dos adultos entre 25 e 74 anos. Constitui um fator de risco major para eventos cardiovasculares, representando a principal causa de morbimortalidade a nível global. A Organização Mundial da Saúde estima que há 600 milhões de hi-pertensos, responsáveis por mais de 7 milhões de mortes anuais. O nosso objetivo foi caraterizar doentes hipertensos com eventos cardiovasculares major não fatais, seguidos numa unidade de saúde local (USF), ao longo de 10 anos, avaliando fatores de risco, comorbilidades, anteceden-tes e terapêutica pré-evento.
Métodos: Estudo observacional transversal retrospetivo, baseado em registos eletrónicos (MIM@UF, SClínico e RSE) de hipertensos que tiveram um evento cardiovascular major não fatal (ICPC-2: K74-K76, K89-K91) entre 2014 e 2023. Excluíram-se grávidas, menores de 18 anos e não hipertensos. Análise estatística realizada com IBM SPSS®.
Resultados: Foram incluídos 185 doentes (67% homens), com idade média de 72,7 anos. Dislipidemia (87,6%), obesidade (39,9%) e diabetes mellitus 2 (39,5%) foram as comorbilidades mais prevalentes. O acidente vascular cerebral foi o evento mais frequente (42,7%), seguido de doença isquémica com angina (26,5%). Apenas 15,1% dos doentes com dislipidemia apresentavam LDL controlado, apesar de 82,7% estarem sob estatinas. Quanto à hipertensão arterial, 18,9% estavam sem medicação e 51,4% sob ?2 fármacos, persistindo descontrolo tensional.
Conclusão: Persistem lacunas relevantes no controlo da hipertensão e dislipidemia, reforçando a necessidade de intensificação terapêutica. A sistemática estratificação do RCVG e o combate à inércia terapêutica são fundamentais para prevenir novos eventos nesta população.
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